
Depois de muita espera, finalmente “Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário“, o novo filme de Cavaleiros do Zodíaco totalmente remasterizado foi lançado em terras brasileiras. E, como era de se esperar, o Classe Nerd foi conferir de perto a estreia desse fenômeno dos anos 90 da extinta e saudosa TV Manchete.
Quinta-feira, última sessão, cinema lotado. Todos os ingressos foram vendidos com 1 hora de antecedência. A expectativa era enorme entre os fãs. Olhando para os lados, se via um mar de nerds aficcionados, com camisas e bonés. Tinha nerd com todos os episódios da Saga do Santuário no celular. Provavelmente você vai ouvir um “Isso é filme de criança” ao comentar que você vai assistir ao filme dos Cavaleiros do Zodíaco nos cinemas, mas o que se via no cinema era um monte de adultos, nostálgicos e saudosos, voltando a ser criança novamente.
Vamos ao filme. “Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário” é um reboot da clássica Saga do Santuário. Isso mesmo! Eles conseguiram transformar 73 episódios em 1h30 de filme! Considerando apenas a parte da Batalha das Doze Casas, são 34 episódios. Fazendo uma conta rápida, são 34 episódios com 22 minutos, totalizando toda a parte das Doze Casas em 748 minutos. E, magicamente, eles conseguiram reduzir em 90 minutos. Tudo bem que no desenho há muito blá-blá-bla, muita enrolação. Mas tem cenas que são extremamente necessárias e que todos os fãs estavam ali, aguardando ansiosamente para assistí-las.
Logo no primeiro minuto, o filme é aclamado pelos fãs no cinema. Os produtores do filme acertaram em fazer um filme em CG (computação gráfica), dando uma nova roupagem aos cavaleiros e uma dinâmica muito boa nas batalhas. Os efeitos especiais ficaram muito bons e tem muitas cenas bem realistas. Tem partes que parece que fizeram uma sobreposição de CG com imagens reais. O novo visual ficou espetacular!

A apresentação dos Cavaleiros de Bronze é feita bem rapidamente. Tudo que o filme passa é que eles são órfãos que foram treinados para defender Saori. O passado deles, como eles foram treinados, quem são seus mestres, nada disso importa. Eles simplesmente surgem do nada, não dando tempo de conhecê-los mais profundamente. E se Fênix é o seu personagem favorito, não tenha muitas esperanças em vê-lo em ação.
Um ponto que é preciso destacar é a mudança de comportamento de alguns personagens. Tem um, em específico, que é altamente ridicularizado, a ponto do espectador se sentir em um musical da Disney. Nada contra em fazer reboot ou remake de um filme, mas alterar características importantes de um personagem contribuiu para a decepção da grande maioria de fãs.
As armaduras dos personagens ficaram muito boas. Agora elas cobrem praticamente o corpo inteiro, protegendo os cavaleiros. No desenho, as armaduras cobriam pouca parte do corpo, deixando os cavaleiros mais expostos. Além disso, as novas armaduras brilham quando os cavaleiros elevam o cosmo, lembrando a roupa usada no clássico filme “Tron”. O efeito ficou muito bacana!

Sobre a Batalha das Doze Casas, elas são apresentadas rapidamente. Tem algumas casas que nem aparecem. Devido ao curto tempo, as lutas são muito curtas e, algumas vezes, decepcionante. Quem estava esperando ver as grandes batalhas entre Seiya x Aioria (Leão), Shiryu x Máscara da Morte (Câncer), Ikki x Shaka (Virgem), Hyoga x Camus (Aquário) e Shun x Afrodite (Peixes), sugiro não ir com muita expectativa. Tem lutas que nem acontecem.
Ah, sim! Tem cena extra no final. Mas não se anime! É uma cena sem muita importância e que não contribui em nada no filme e nem em uma sequência – se houver.
Para quem não conhece a saga dos Cavaleiros do Zodíaco, o filme não conta a história fielmente ao desenho, trazendo rapidamente personagens e elementos à trama. Mas o filme é, em alguns momentos, divertido e tem umas cenas que valem a pena assistir. Se a ideia do filme era apresentar a saga às crianças da nova geração, ok, fez o seu papel. Talvez façam com que elas procurem o desenho e conheçam melhor a história por trás da trama. E vender novas action figures com a nova roupagem dos personagens (eu já estou procurando por uma!).

Porém, muitos fãs saíram do cinema indiganados com o filme, que foi uma homenagem aos 40 anos de trabalho de Masami Kurumada, criador da série. Para se ter uma ideia, faltando 15 minutos para terminar o filme, alguém gritou “Era melhor ter ido ver o filme do Pelé“, causando risadas no público presente. E muitos concordavam com o sujeito.
AVISO!!! A partir desse momento, serão exibidos os pontos fortes e fracos do filme. Portanto, haverá SPOILERS! Se quiser ler, é por sua conta em risco!
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Pontos fortes do filme:
– A remasterização do Santuário. Esqueça aquelas velhas casas gregas. Todo o santuário foi modificado e modernizado.
– Os gráficos ficaram muito bons. E em alguns momentos a qualidade do CG impressiona.
– A dublagem. A participação de todos os dubladores oficiais melhora ainda mais a experiência ao ver o filme.
– Novos elementos na história. A famosa flecha dourada que atinge Saori agora é uma flecha invisível que suga seu cosmo, transferindo-o para o Grande Mestre. E os nossos heróis não carregam mais as armaduras nas costas. As armaduras são invocadas a partir de placa pendurada em um cordão.
– A nostalgia. O saudosismo em ver e ouvir os personagens proferindo os seus golpes, com efeitos espetaculares.
Pontos fracos do filme:
– Os Cavaleiros de Bronze evoluíram muito rapidamente. Nas primeiras cenas, Seiya, Shiryu, Hyoga e Shun são destruídos por Aioria (Leão). E, logo em sequência, eles vão pro Santuário e conseguem ganhar rapidamente suas lutas, sem muito sofrimento.
– História contada muito rapidamente. A mágica de reduzir 34 episódios em 90 minutos acabou trazendo fortes consequências para o filme. Não dá tempo de você conhecer melhor os personagens, as suas origens, de onde eles vieram, o que eles faziam, quem eram os seus mestres. Não dá tempo nem de se apegar a algum personagem específico.
– A mudança de personalidade de alguns personagens. O Máscara da Morte, de Câncer, vira uma mistura de Jack Sparrow e Coringa. O Miro, de Escorpião, é uma mulher. O Seiya virou um brincalhão e gozador, ao ponto de chamar o Aldebaran, de Touro, de “Tiozão” o tempo inteiro.
– Muitas invenções. O Grande Mestre, ao consumir todo o cosmo de Saori, se transforma numa criatura gigantesca. A armadura de sagitário possui 4 patas, encarnando um centauro.
– Falta do movimento dos personagens ao executarem os seus golpes. Ok, se fosse para exibir todos os movimentos, o filme teria que ser bem mais longo.