Se você não sabe, o filme Jogador Nº 1 é baseado em um livro de Ernest Cline e já foi resenhado pelo Classe Nerd, clique e leia.
Como foi dito na crítica, ele é uma divertida e saudosa viagem pela cultura pop tanto ocidental e oriental dos anos 80 e começo dos 90.
Não vou ficar comparando livro com filme, pois são mídias diferentes e como diz nos títulos ele é uma ADAPTAÇÃO.
Quando se trata de adaptar algo que foi feito para um formato, tem que se pensar que o público é diferente. Se fossem colocar tudo que tem no livro, teriam que ser investidos milhões de dólares em direitos autorais, pois nas páginas são feitas muitas referências e como ali não estão sendo mostradas as imagens, a citação e a descrição são livres. O que já não acontece no cinema, aonde para se exibir essas imagens tem que se pagar um valor X ou pedir para o artista que criou determinado segmento que “empreste” por alguns segundos sua obra.
E também tem a história, que em alguns momentos é arrastada, mas não menos divertida. Descrever uma pessoa jogando um atari 2600 é muito mais dinâmico nas palavras do que em uma cena em movimento.
Vamos aqui nos ater ao filme!
O longa conta a história de Wade Watts, um jovem que vive em um amontoado de trailers em um futuro onde os recursos de combustíveis estão escassos.
Para evitar os longos deslocamentos e a exaustão desses elementos, um pesquisador (James Halliday) cria um universo virtual chamado OASIS, um lugar para que as pessoas possam se divertir, estudar e até mesmo trabalhar sem ter a necessidade de sair de casa. Algo similar ao que temos atualmente com os óculos virtuais associados com o antigo Second Life.
Dentro desse universo existem vários tipos de mundos: World of Warcraft, Star Trek, Star Wars, DOOM entre outros. Para o filme foram inseridos até alguns mais recentes como Minecraft e Overwatch.
Cada “mundo” tem suas regras: A magia do World of Warcraft não funciona em um mundo que seja utilizada tecnologia, tipo o do Star Trek. E vice-versa.
Mas há também os mundos que são abertos, não tem regras e pode-se usar de tudo.
Para abrigar a população dentro desse universo todo, também foram criadas profissões, para que as pessoas possam trabalhar e juntar dinheiro virtual para comprar coisas reais e as entregas são feitas por meio de Drones.
Quando o criador do OASIS morre, ele deixa um desafio de encontrar três chaves dentro desse universo virtual. Quem achar primeiro as três, herda uma grande quantia em dinheiro e o comando da empresa que administra os servidores desse universo.
Com isso uma corporação dirigida por Nolan Sorrento, a Innovative Online Industries ou IOI, quer se apoderar desse sistema e transformar o que é livre para a toda a população, em algo rentável para eles, cobrando taxas de mensalidades, de upgrades, armas, customizações e etc. Parecido com uma empresa real que adora fazer micro transações dentro de seus games. Não estou comparando com nenhuma empresa de Artes Eletrônicas, longe de mim.
O filme é uma imensa referência a diversos filmes, desenhos, séries, músicas e livros que marcaram a vida de muita gente.
Não vou mentir para você, parece que virou uma doença. Tudo atualmente tem que fazer referência a alguma coisa. Se não houver o mínimo de referências, não agrada aos nerds. Daqui a pouco vai surgir uma doença chamada síndrome de Capitão América: a falta por referências em alguma obra.

Mas Jogador Nº 1 é diferente, pois a proposta dele é essa, ter esse tipo de citações. E nisso ele é bem executado. Elas explodem a cada segundo na tela, levando o espectador a querer rever o filme passando quadro a quadro para descobrir todas. Prevejo algum canal ultra nerd esmiuçando cada frame para tentar descobrir cada uma delas. Não vou omitir que passei boa parte da exibição, obrigado Warner e Espaço Z pelo convite, com o Companheiro de Batalha Rodrigo apontando para a tela em várias cenas.
O longa mescla e cita vários elementos das películas daquela época, tais como O Clube dos Cinco, Os Gonnies, Conta Comigo entre vários. Todos muito bem executados.
As cenas de ação são um deleite para qualquer nerd, pois elas misturam vários elementos da cultura pop em uma disputa para se achar todas as chaves e se tornar herdeiro do enorme sistema de entretenimento virtual.
A interação dos atores também está excelente.
Isso faz você torcer para que qualquer um do grupo principal, Parzival, Art3mis, Aech, Sho e Daito se torne o vencedor. Falando em Sho, que no livro é chamado de Shoto, ele é um dos mais carismáticos entre o grupo, fique atento a ele. Uma pena que apareça tão pouco.
A obra também tem as participações de Simon Pegg, interpretando o co-fundador do OASIS e amigo de Halliday, Ogden Morrow e T.J Miller dando voz ao personagem trambiqueiro i-R0k.
Como o filme é uma grande referência disfarçada de aventura, não poderiam ficar de fora as músicas, principalmente a trilha sonora original dele. Dá para se perceber em alguns acordes, homenagem a diversos filmes, incluindo De Volta para o Futuro.
Para nós, do Classe Nerd, o filme foi bem satisfatório em relação a história, diversão e cenas de ação. Foi quase como assistir a uma sessão da tarde dos anos 80, só que com um orçamento pesado investido em efeitos especiais. Vai valer a pena voltar um pouco para o OASIS e tentar descobrir cada dos easter eggs escondidos por lá, pois não dá para ver tudo em uma só exibição.
Se for possível, escolha um cinema com uma tela enorme, recomendo as salas IMAX, para assistir, pois esse é um filme que merece ser curtido no melhor formato de áudio e imagem possível.
Jogador Nº 1 (Ready Player One) tem direção de Steven Spielberg, elenco formado por Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Mark Rylance , Simon Pegg, T. J. Miller, Lena Waithe, Hannah John-Kamen, Win Morisaki, Philip Zhao e estreia dia 29 de março de 2018, no Brasil.
Uma curiosidade: A Designer da logo, Emily Oberman (da empresa Pentagram), e sua equipe explicaram que a logo foi inspirada em um labirinto, arcades dos 80, gráficos 8-bits e capas de disco. Como se pode ver abaixo, a entrada do labirinto fica pela letra R e segue caminho até a letra O, aonde encontra-se o “Easter Egg”.
Via itsnicethat.com