
Não é de hoje que a Pixar Animation Studios tem apostado em sequências de franquias de sucesso com o intuito de engordar seus bolsos com bilheterias milionárias. No entanto, com o lançamento de “Toy Story 4”, a empresa fundada por Ed Catmull e Alvy Ray Smith anunciou que seus próximos projetos seriam todos inéditos. Assim, filmes como “Dois Irmãos”, “Soul”, “Luca” e “Red: Crescer é Uma Fera” chegaram nos cinemas ou diretamente no catálogo do Disney+. No entanto, durante o evento virtual do Disney+ Day de 2020, o filme “Lightyear” teve seu lançamento anunciado para o ano de 2022 e surpreendeu ao informar que Chris Evans, o intérprete do Capitão América no Universo Cinematográfico Marvel, seria a voz por trás do personagem-título.
Diferente da franquia “Toy Story”, o longa foi apresentado como uma aventura sci-fi com o astronauta que deu origem ao boneco Buzz Lightyear. Em outras palavras, nesse novo projeto da Pixar, vemos o mesmo filme que fez com que o personagem Andy se apaixonasse pelo patrulheiro espacial. A história começa com os jovens patrulheiros Buzz e Alisha Hawthorne se aventurando em no planeta T’Kani Prime (se preparem para diversas referências verbais e visuais ao primeiro Toy Story). Ao perceberem se tratar de um local inóspito e habitado por criatura primitivas, tentam ir embora, mas por um erro causado por Lightyear, acabam ficando presos e passam o próximo ano buscando formas de voltar para a casa.

Anos mais tarde, com a tripulação proporcionando avanços tecnológicos naquele planeta e o tornando minimamente habitável, Buzz resolve sozinho testar uma maneira de voltar para casa. Porém, ao testá-la, algo estranho acontece: para o patrulheiro o teste durou cerca de quatro minutos, para o restante da tripulação, quatro anos se passaram. A partir desse momento ele se encontra em um dilema, a cada tentativa de ir embora, ele perde anos de convivência com seus amigos.
Quando anunciado, o longa dividiu opiniões. Seria realmente necessário contar mais uma história dessa franquia que já se aproxima dos trinta anos? Por incrível que pareça, sim. Com exceção das diversas referências feitas ao longo dos 105 minutos de filme e de seu nome, o personagem nada lembra o brinquedo que causou a discórdia na liderança do cowboy Woody.
Aqui o patrulheiro espacial carrega a culpa por prender toda a sua tripulação em um planeta desconhecido e tenta encontrar uma maneira de reverter a situação, nem que para isso ele precise deixar de lado a convivência com as pessoas com quem convive. Enquanto tenta incansavelmente ir embora, seus colegas tripulantes seguem com suas vidas, criam laços com outras pessoas e chegam a formar família. É o que acontece em determinado momento em que, ao retornar mais uma vez de uma tentativa de fuga, encontra com Izzy Hawthorne, neta de sua companheira de tripulação, já com mais de vinte anos.

No Brasil a polêmica do filme foi mais além. Em uma campanha duvidosa, exibida no comercial do “Big Brother Brasil 22”, Guilherme Briggs, voz do brinquedo não só nos filmes, mas em todos os especiais e na animação estrelada pelo personagem, passa o bastão para Marcos Mion, que é quem dubla Buzz nessa nova aventura. A presença de star talents na dublagem é mais normal do que deveria. Quem não lembra do fiasco que foi a dublagem do Luciano Huck em “Enrolados”? Porém, aqui há uma diferença: diferente do marido de Angélica, Mion é ator e possui DRT. Inclusive, a dublagem não é novidade para o mais novo apresentador do “Caldeirão”. Em 2014, foi dele a voz do personagem Fred, em “Big Hero 6”.
Isso quer dizer que não dá pra notar a presença de Mion no filme? Não. Nos primeiros minutos de filme você pode sentir um frio na barriga ao lembrar quem dá a voz ao personagem-título. Mas essa sensação logo é recompensada com o decorrer da história.
Em um dos retornos de Buzz, ele se depara com um grupo de cadetes atrapalhados: A líder Izzy, que no original é dublada por Keke Palmer, é ambiciosa e sonha em ser uma patrulheira como foi sua avó. Mas tem dificuldade em seguir os planos e normalmente age por impulso. Além disso, sofre com medo do espaço. Ao seu lado estão Darby e Mo, uma criminosa intergaláctica e um recruta atrapalhado. Ao lado do patrulheiro espacial que passa a ser uma espécie de comandante do grupo, passam por etapas de crescimento pessoal.
Ao lado dos humanos está o robô Sox, um assistente pessoal em forma de gato dado a Buzz pelo Comando Estelar. Inicialmente os fãs achavam que a presença do personagem seria uma estratégia da Pixar para vender pelúcia ou Funko Pop! Destinado a facilitar a transição emocional do patrulheiro espacial após seu tempo fora, ele basicamente existe para fazer Buzz feliz. Um pacote de bugigangas envolto por fofura em forma de gatinho, Sox é o amigo e parceiro que Buzz precisa, além de hábil em fornecer som ambiente e capaz de fazer cálculos complicados.

Do outro lado temos a presença do vilão Zurg, que já havia sido citado em “Toy Story”, mas fez sua estreia em “Toy Story 2” fazendo, inclusive, uma clara referência ao diálogo de Luke Skywalker e Darth Vader em “Star Wars”. Aqui, Zurg é o capitão de uma alienígena que invade T’Kani Prime junto a um exército de robôs implacáveis e uma nave espacial cheia de aparelhos de alta tecnologia. Ainda que a missão do vilão não seja clara de início, sua presença se torna uma grande ameaça.
Apesar da familiaridade com o personagem-título, dificilmente os expectadores farão associação com a franquia original. Não é nem de longe o melhor ou mais emocionante filme da Pixar, porém, marca uma nova fase da empresa, com uma trama redonda, diferente e corajosa. “Lightyear” estreia em 16 de junho nos cinemas e deve conseguir arrecadar uma nova legião de fãs do patrulheiro espacial, ao infinito e além.