Por: Viviane Rodrigues | @veeveeane
Um dos personagens mais velozes com gosto de infância sai dos vídeo games em seu live action em Sonic – O Filme. Na história, Sonic (voz de Bem Schwartz) desfruta de sua vivência na Terra até seu caminho cruzar com o do Doutor Robotnik (Jim Carrey) e ele vai precisar de ajuda dos seus amigos, dentre eles Tom Wachowski (James Marsden) para salvar a si mesmo e ao mundo das terríveis máquinas do vilão.
O personagem Sonic partiu de uma franquia de jogos muito popular da Sega que marcaram a infância e adolescência de toda uma geração. Confesso que joguei apenas uma vez e muito tardiamente, portanto não vinculei muito na cabeça o filme com o jogo e acredito que seja um ponto positivo para as demais pessoas que conheçam pouco os jogos ou nem os conheçam: o filme por si só é o bastante e diverte.
Com Jim Carrey no elenco como o vilão principal, a Paramount o colocou carregando o filme nas costas. Toda a atuação como Doutor Robotnik era divertida e descontraída, fazendo com que em muitas cenas que ele estivesse ausente, o espectador se pegasse torcendo para sua próxima aparição. Inclusive, esse foi um dos pedidos do público que a Paramount escutou antes do lançamento do filme: mais aparições do vilão no longa.
Contudo, não foi o único pedido popular ouvido e nisso a Paramount leva o agradecimento e reconhecimento dos fãs. A empresa de fato os escutou quando lançaram um primeiro olhar na versão computadorizada do Sonic nas redes sociais e no primeiro trailer lançado. De primeira vista, o personagem encontrava-se numa versão tão humanizada que o estranhamento popular foi nítido e a empresa escutou os pedidos e adiou o lançamento do filme para modificar totalmente o visual de Sonic. O resultado final é muito mais satisfatório e comprável do que o anterior – considerando que sempre há certo estranhamento já que Sonic não é real.

Os efeitos visuais do filme são muito bem feitos, deixando a imaginação preencher as lacunas da realidade com a ultra velocidade de Sonic e os portais de anel do personagem. A trilha sonora trouxe uma pitada de nostalgia de vídeo games junto com músicas conhecidas (e condizentes!) como, por exemplo, Don’t Stop Me Now, do Queen. Ainda assim, o filme poderia ter se valido de mais músicas próprias e remetentes ao game.
O roteiro em si se satisfaz, com começo, problemática e fechamento encaixados, ainda que o filme pudesse ter acelerado algumas partes lentas demais que tornaram o desenvolvimento da história o oposto de Sonic. A construção de amizade do personagem principal com Tom Wachowski demanda um tempinho que deixa uma parte do filme um pouco cansativa, mas isso é rapidamente salvo pelas cenas excêntricas de Jim Carrey entrando na pele de Robotnik e dando ao público as risadas na medida certa e a atenção à tela.
Trailer Dublado
Se o papel do filme era entregar diversão, isso ele o faz muito bem através de piadas inteligentes e cenas descontraídas (harmônicas com o público livre que o filme permite). Por outro lado, ao terminar de assistir, embora seja divertido, fica um ar de história leve demais que cumpre apenas esse objetivo: diversão e distração, sem grandes questionamentos além da trama principal apresentada. Portanto, dentro do seu contexto, sua função é reconhecida, ainda mais considerando todo um público jovem que venha a conhecer Sonic através do filme.
O longa também possui uma cena pós-créditos que animou quem já acompanhava Sonic diante a possibilidade de uma continuação. Com um orçamento em torno de US$ 95 milhões, qualquer continuação vai depender da receptividade do público ao filme e de quanto sucesso a história do ouriço azul mais rápido dos games pode fazer nos cinemas.

Título
Original: Sonic: the Hedgehog – Movie
Direção: Jeff Fowler
Duração: 1h 39min
Gênero: Ação, Aventura Família
Estúdio: Paramount Pictures